DFC Método Indireto: Elaborar e Demonstrar Fluxo de Caixa

dfc método indireto

O que é a DFC Método Indireto

DFC Método Indireto é um dos temas mais recorrentes e desafiadores na preparação para o Exame de Suficiência e concursos da área contábil. Saber como elaborar e interpretar essa demonstração é essencial para dominar o fluxo de caixa e entender a saúde financeira de qualquer empresa. Neste guia completo, você vai aprender de forma prática e objetiva como funciona o método indireto da Demonstração dos Fluxos de Caixa, passo a passo, com exemplos e dicas para aplicar esse conhecimento nas provas e na vida profissional. Se você ainda tem dúvidas sobre ajustes, variações de contas e estrutura do relatório, este conteúdo vai esclarecer tudo.

Qual a diferença do DFC direto e indireto?

A diferença entre a Demonstração dos Fluxos de Caixa DFC Método Direto e Método Indireto reside apenas nos fluxos das atividades operacionais.

A DFC Método direto explica as entradas e saídas brutas de recursos das principais atividades operacionais, como por exemplo:

  • Recebimento de vendas
  • Pagamento a fornecedores
  • Pagamento a funcionários

Já a DFC Método Indireto, que faz a mesma coisa que o Método Direto, inicia pela conciliação do lucro líquido do exercício, retirando todas as transações que não tiveram efeito caixa mas que afetaram o lucro.

Resolução de questões de DFC

Quais ajustes devo fazer na DFC método indireto?

Devemos ajustar do lucro líquido os registros contábeis que não tenham causado desembolso ou entrada de caixa mas que afetaram o lucro. Exemplos desses registros são:

  • Depreciação, amortização e/ou exaustão
  • receita e/ou despesa com equivalência patrimonial
  • Juros sobre empréstimos, financiamentos e arrendamentos provisionados;
  • Rendimento de títulos e valores mobiliários;
  • provisão para perdas em contas a receber e estoques;
  • Provisão para riscos tributários, cíveis e trabalhistas;
  • Resultado na venda de ativo imobilizado;
  • Apropriação da receita diferida;

Veja na DFC da Magazine Luiza como isso foi feito nas Demonstrações Contábeis do primeiro trimestre de 2022.

DFC método indireto
Ajustes de conciliação do lucro líquido DFC Método Indireto

Como fazer DFC método indireto passo a passo?

O primeiro ponto é decorar essa tabela abaixo. Ela mostra o que acontece com o caixa quando ocorre um aumento/diminuição nos ativos e passivos.

DFC método indireto

Toda vez que as contas do ativo aumentam, quer dizer que o caixa diminuiu. Exemplo: compra de imobilizado. A compra de imobilizado à vista aumenta a conta imobilizado e reduz o caixa.

Toda vez que que contas do ativo diminuem, quer dizer que o caixa aumentou. Exemplo: estoques
vendidos à vista.

Toda vez que contas do passivo aumentam, quer dizer que o caixa aumento. Um aumento de passivo significa uma postergação de pagamento, então isso gera um aumento do caixa.

Toda vez que contas do passivo diminuem, quer dizer que o caixa diminuiu. Uma diminuição do passivo significa que aquela obrigação foi quitada, então o caixa foi consumido.

Só para relembrar, aqui se referem a transações que afetam o caixa. Se uma empresa líquida um passivo
dando parte de seus estoques, isso não entra na DFC pois é uma transação sem efeito no caixa, ok?

Passo 1. Conhecer e analisar o balanço patrimonial e a DRE.

Como disse anteriormente, a DFC é montada com base no BP e na DRE. Então o primeiro passo é você dar uma olhada nessas duas Demonstrações que a questão vai trazer.


As questões podem dar o balanço patrimonial do ano X1 e X 2 e a DRE do ano X1 já montado ou pode dar o balanço patrimonial do ano X1 e informar operações que ocorreram durante o X2 para que você montar o balanço e a DRE do ano X2.

Vamos usar o exemplo abaixo que usa os dois modelos ao mesmo tempo

DFC método indireto


Nós já podemos ver que o caixa foi consumido de 2016 para 2017 em 2.400.000. Esse é o resultado que a gente deseja encontrar

Passo 2. Ajustar o lucro líquido do exercício.

Como falei anteriormente, a única diferença entre DFC método direto e indireto e o seu ponto de partida.

O método indireto parte do lucro líquido do exercício. Para ajustar o lucro líquido você deve retirar ou acrescentar qualquer resultado que não trouxe efeito caixa.

Nas provas geralmente essas transações são depreciação, amortização, impairment, variação cambial e resultado de equivalência patrimonial.

Também deve ser excluído/acrescentado do lucro líquido transações que afetem o caixa, mas que pertencem a outro fluxo.

Por exemplo, a venda de imobilizado que afeta o caixa se for a vista, mas é pertence ao fluxo de investimento.


Ao final desses ajustes você terá o lucro líquido do exercício ajustado.


Em nosso exemplo, a resposta ficará assim:

Ajuste de lucro liquido

Passo 3: ajustar as variações de ativos e passivos operacionais.

Nosso trabalho com a DRE já terminou. Daqui pra frente é com o BP.

Agora devemos comparar o ano de 2016 e 2017 entre os ativos operacionais da empresa e ver se a variação foi positiva ou negativa. Para isso vamos utilizar aquela tabela do início do post.

Vamos analisar quais as contas operacionais variaram. As contas operacionais são: duplicatas a receber, mercadorias para revenda, fornecedores nacionais, e salários a pagar.

Variação DFC
A variação foi: duplicatas saiu de 2.000.000 para 5.500.000, ou seja, esse ativo aumentou em 3.500.000. de acordo com a tabela acima das variações, se um ativo aumenta, quer dizer que dinheiro deixar de entrar no caixa. Então essa variação deve aparecer na DFC de forma negativa.

Duplicatas a receber: -3.500.000
Mercadorias para revenda: -1.000.000
Fornecedores nacionais: 2.200.000
Salários a pagar: 100.000

Pronto. Terminamos a análise das contas operacionais.

Passo 3. Agora vamos somar o lucro líquido ajustado encontrado no passo 1 ao somatório das variações encontradas no passo 2.


Lucro líquido ajustado (passo) ——R$ 3.000.000
Somatório das variações operacionais —-R$ -2.200.000
Fluxo de caixa gerado ou consumido das atividades operacionais —— R$ 800.000

Passo 4. Agora que encontramos o Fluxo das atividades operacionais, vamos terminar os outros fluxos, apesar da questão não pedir isso.

Iremos fazer o uso da mesma tabela e encontrando a variação das contas.

Edificações: -12.500.000. A conta de edificações aumentou para R$ 22.500.00. Aumento no ativo significa redução de caixa.

Fluxo de caixa gerado ou consumido nas atividades de investimento —R$ 12.500.000

Atividades de financiamento
Financiamento —————- R$ 10.000.000
Pagamento de dividendos —(R$ 700.000)
Fluxo das atividades de financiamento——– R$ 9.300.000

A questão apresenta também que foi pago um dividendo de R$ 700.000.

Pagamento de dividendos entra naquele caso especial que possuem duas formas de classificação: O, FOI? FOOI

O pagamento de dividendos pode ser classificado como atividade de financiamento ( o CPC encoraja esse uso) ou como atividade operacional.

Nesse exemplo vamos utilizar a recomendação do CPC e classificá-lo como atividade de financiamento, ok?


Passo 5. Encerrar a DFC e encontrar o fluxo de caixa final das 3 atividades. Para isso, basta somar todos os fluxos.


Fluxo de caixa das atividades operacionais ——————- R$ 800.000
Fluxo de caixa das atividades de investimento ————– (R$ 12.500.000)
Fluxo das atividades de financiamento ———————— R$ 9.300.000
Aumento/Diminuição do caixa e equivalentes caixa —- (R$ 2.400.000)

O resultado da DFC desse ano foi que houve uma redução de caixa de R$ 2.400.000. Essa redução de caixa foi causada pela compra de um ativo imobilizado.

Conclusão DFC Método Indireto

Dominar a DFC pelo método indireto pode parecer complexo no início, mas com prática, clareza e bons materiais, esse tema se torna um dos seus maiores aliados rumo à aprovação.

Esse passo a passo foi retirado de um de nosso materiais do Método 3R. Caso você queira receber esse e muitos outros materiais de estudo para o Exame do CFC e CNAI, CNPC e Concursos, siga nosso Instagram!

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Felipe Nunes

Felipe Nunes é Contador, Auditor Independente (CNAI QTG), Servidor Público Federal e fundador do CFC Academy a maior especialista e recordista em aprovação em Certificações do Conselho Federal de Contabilidade. 72,22% de nossos alunos são aprovados no Exame de Suficiência do CFC.

Atualmente dedica-se a ser a faculdade que a sua faculdade não foi. Ensina o que você deveria ter aprendido na graduação e como aplicar esses conhecimentos na vida real de forma prática e objetiva.

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